terça-feira, 20 de setembro de 2016

Quando tudo está no seu lugar...

Sejamos ou não adeptos de uma arrumação aprimorada, a verdade é que quando entramos num sítio onde as coisas estão no lugar, sentimos que tudo está bem.
E o estar no lugar não tem necessariamente de corresponder à ciência exata e milimétrica do que é que fica onde, qual expectativa de adoração, qual adepto da museologia.

Apenas tem de estar lá. Ser sentido no seu lugar. Ser confortável.

E se é assim com as coisas de coisas, porque seria diferente com as coisas do ser, da essência das gentes, do profundo do humano?
Passamos muitas vezes de armário a prateleira, umas temporadas na gaveta, ora em exposição na vitrina clássica herdada de alguém longínquo.
Replicamos ensinamentos e responsabilidades passadas em testemunho. Trabalhamos incansavelmente para expectativas que nem sabemos de onde surgem.

A verdade é que quando olhamos para o lugar onde nos encontramos, com uma profunda atenção, nem sempre sentimos o tal conforto de que tudo está no seu lugar.

Há coisas que acumulam e crescem em nós, connosco. Coisas que nem reconhecemos. Nem sequer ousamos lembrar quando passou a pesar na nossa mochila.

Às vezes olhamos para esta mochila que carregamos incansavelmente e ela está cheia de nada e vazia de tudo.
Acumulam-se as coisas. Mas não nos reconhecemos nelas.
Como se algures no tempo, tivéssemos confundido a mochila e numa viagem apressada trocássemos com outro transeunte.

O que também é verdade, quando os nossos muitos "eus" se engalfinham no vai e vem das muitas vidas (que nem só os gatos tem).
Os "eus" afirmados e os que se escondem na sombra da cortina, muitas vezes ansiando o palco, apenas à espera de um acto de audácia para ir e deslumbrar.
Qual vitória na superação.
Qual mochila revirada e esvaziada do que não interessa.
Qual casa que depois de desarrumada ganha novas cores, novos aromas e novas coisas.

Às vezes as coisas estão no seu lugar, estando no lugar que pensávamos que não era o delas.
Por vezes o que outrora foi desarrumo, nos conforta, nos enche o coração de felicidade.
Por vezes nem vimos o desconforto, só sabíamos que faltava algo.

Porque... às vezes só temos de ter um único momento de protagonização.
Aquele em que perguntamos com toda a humildade e sinceridade quem somos na nossa mais ecológica essência.
Despidos.
Desmaterializados.
Desconectados.

Quando a pergunta é sincera. A resposta também se revela na sua maior integridade. Surge como sempre fosse a meta a alcançar.
Deixa-nos em deslumbre sem nos deslumbrar.
Dá-nos nova vida, sem retirar a que antes ocupava aquele lugar.
Tudo soma.
Mas tudo subtrai.

E resulta na solução mais prudente, mas também a mais audaciosa.

Queres experimentar colocar-te a questão?

Com amor,
Judite <3





segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O ritmo dos sonhos

Nesta manhã que inicia o meu dia especial, sento-me a escrever num dos sítios que mais me inspira a fazê-lo. É aqui que preparo a minha partilha de hoje, aquela que pelas 21.30, como sempre que as há, irão poder ler.

Entre a leve brisa que ainda refresca um dia que será quente, o gracejar das aves e o trotear da água que cai em cadência, mas anima o lago. Este lugar que acolhe pequenas e tímidas crias de uma grande ninhada de patos, entre os ocupantes mais maduros. O verde ocupa todo o horizonte e o sol tenta chegar por todas as oportunidades com que pode para iluminar vidas.

E eu aqui, sentada entre uma grande chávena, os "mil e um" cadernos que levo sempre comigo e as modernas tecnologias que nos permitem estar sempre presentes no mundo e no trabalho. Penso em como me sinto feliz por estar aqui neste instante.
Neste lugar, a fazer uma das coisas que mais me apaixona, escrever, com outra que me move, partilhar.

Poderia haver melhor combinação para enaltecer uma manhã de um Setembro quente?

Porque aqui fico perdida no tempo...
E escrevo sobre sonhos e sobre planos.
E escrevo sobre o que a vida me ensina e sobre partilha.
E como sei e sinto com sinceridade, como partilhar esta alegria me preenche a alma e aquece o coração. Como me dá ânimo e ritmo, para que com toda a certeza possa rodopiar por aí, qual fada madrinha a tilintar a varinha noutros corações.
Por aqui me deixo perder no tempo...

O último ano foi tão preenchido que saltito entre as duas sensações.
A de que passou depressa, e que ainda ontem era um sábado de Setembro, mais fresco que este dia.
E a que tão longínquo, quase como se em outra vida. Quando tanta coisa aconteceu, entre pessoas e projectos, entre descobertas, crescimento e partilha.
Ao pensar em tudo isto, um sorriso maior alarga-se em toda a face e um calor ruboriza-me do coração ao olhar.
Tantas coisas começadas, umas reparadas e outras terminadas.
Tantos ciclos. tantos novos sonhos.

Ah e como eu sonho!
E sonho com tanta certeza, que aquele que é o meu sonho maior se sente na pele.
Transporto-me para aquele lugar onde ele acontece. Sinto a brisa que encadeia entre o quente e o refrescante, o aroma salgado, os raios de sol cintilantes.
E naquele sítio tudo acontece.
Ali tudo sou eu, e eu sou o que dali recebo.
E vejo-me lá a fazer o que mais gosto. A escrever, a criar, mas acima de tudo aprender e a partilhar.

Tudo o que faço, tudo o que tenho feito, step by step, rumo a esse destino. E esse destino cada dia mais sentido. Mais próximo.

E essa próximidade veio com o tempo. Não o tempo, pelo tempo, mas o tempo que me deixei dedicar ao sonho, mas acima de tudo à abertura para a aprendizagem.

Se há uma aprendizagem maior, uma que tenho tido em conta e que me alavanca em tudo, resume-se a escutar.
Escutar o coração.
E como tenho posto o coração em quase tudo o que faço, e como o retorno tem sido sem medida. Porque o que se sente não se mede.
Mas ouvir a melodia dentro de nós leva-nos a lugares que de outro modo não teríamos oportunidade.

Ás vezes não é fácil.
Não é fácil romper com as construções. Com os muros, paredes e vedações. Com os limites além da compreensão do coração. Com os limites impostos pela razão desracional.
Não é fácil lidar com os caminhos que nos trazem pedras, buracos e chão por alcatroar.
Não é fácil as portas que se fecham
Não é fácil quando os olhos se põem em nós, por vezes à espera de nos ver tropeçar.

Mas quando o podemos fazer. Quando estamos dispostos a ser um coração entre mentes. Quando o assumimos em alma inteira. Existe um todo outro mundo à nossa espera.

Poderia ser o da fada madrinha, desvendando atrás do arco-íris cascatas cintilantes, onde unicórnios, elfos e fadas dançam ao som mágico dos campos verdejantes.
Qual harmonia naquele lugar.
Mas as fadas (madrinhas ou não) vão além daquela imagem dos desenhos, os animados e os coloridos, que todos conseguimos agora criar em uníssono na nossa imaginação.

Quando sabemos qual o nosso lugar cheio de magia da vida, podemos descartar a imagem daquela que antes era uma caixa e agora uma tela preta.
Existe toda uma outra imagem. Só nossa, mas que em simultâneo todos conseguem sentir.

Este ano foi perfeito na sua imperfeição.
As melhores coisas que aconteceram, trouxeram alegria e energia à vida.
Mas as que correram noutros sentidos, aquilo que chamamos erros ou desvios, são as que melhor aconteceram no seu momento.
Porque houve aprendizagem e crescimento. E uma descoberta sem fim de tantas novas possibilidades.

Receber estes desvios com humildade e aprender com eles, foi de longe a maior evolução. E sinto imensa gratidão por tudo o que tive e fiz oportunidade de lá estar a vivê-los.

Para mim, hoje e amanhã, só poderá haver esta maneira de viver: ao som do coração.
Escutar e acompanhar o seu ritmo e melodia. Sentir a sua expansão em tudo o que faço.
Como o rei Midas quanto transformou o mundo em ouro, por o coração em tudo o que faço é o caminho do meu propósito. Mas tal como esta fábula, há que manter o poder do equilíbrio.
E se em outros ciclos o da razão pode prevalecer, o meu caminho agora faz-se pela essência. porque onde há equilíbrio, há possibilidade.

E eu estarei aqui para sentir e contribuir... partilhando!


Com amor,
Judite <3






quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Porque somos principio e retorno em nós

As minhas partilhas tem estado ausentes...
Eu digo-o por uma boa causa (eu sei que me repito no anúncio de outros posts)  onde me tenho dedicado com muita paixão a algo que estando a terminar é o princípio de muitas outras coisas!

Nesta renovação de ciclos. Em que os fins e os inicios se cruzam, e com o meu Setembro a começar, hoje tinha que partilhar.
Esta partilha é para comemorar o mês que me apaixona:
Porque é o meu aniversário  (yupiiii i love my day!!!)
E porque para mim é mesmo sentido este mês dos recomeços. 

Se no 1 de Janeiro há a sensação do novo. No 1 de Setembro é aquele em que sempre me redefini! 
É aqui que realmente (re)começa tudo para mim.

Além de tudo o que mudar, recomeçar, sonhar e concretizar arreta. Esta passagem de mês, trouxe ainda mais.
Mesmo antes de chegar o momento mágico do balanço, aconteceu o dia de ontem. 
Um dia de reencontros. 
Um dia que começou como qualquer outro. Com a preguiça inicial da manhã, o meu momento de meditação, e pelas rotinas e surpresas do dia, este foi-se revelando.
Umas abençoando as outras. As dádivas foram acontecendo. Falei com pessoas que me são muito queridas, com outras que estavam guardadas no baú das boas memórias.
Um dia que se foi guiando em contactos que me foram chegando e que fizeram do meu coração, um coração cheio de alegria.

E no fim do dia o balanço que fiz sobre tudo: das fases começadas, das fases terminadas, de todo um ano passado, e desta que é a vida onde acontecem pessoas que contribuem em nós,
Umas que em pouco de momentos mas com tanto do que tem para dar, que quando partem ou ausentam nos deixam com tantas coisas para perdurar.
Outras que ficam e prolongam-se, e que nos vão dando aquele suporte e conforto por ali estarem.
E todas as outras, que nos deixam sonhos ou ensinamentos. Que nos deixam memórias do poderíamos querer repetir ou do que não nos é a mais presente intenção.

E com o reforço desta crença: a de que todos tem um papel, algo para nos dar ou para de nós receber, prossigo estes dias.
Que serão a regra sem excepção.
Onde me centro em mim para que tudo de melhor possa fazer e dar.

E assim será!

Com amor,
Judite <3