quinta-feira, 13 de julho de 2017

O (des)apego em amor

Nem tudo o que é bom num tempo, o é para sempre.

Lido muitas vezes, na minha vida pessoal e profissional com a questão do desapego, ou muitas vezes no manter-se no apego.

Encontro muitas pessoas que se sentem infelizes com a vida que tem, com o emprego, com as relações e até o local onde moram, mas não deixam nada de tudo o que lhes faz menos felizes, para buscar a felicidade, apenas pelo medo da perda!

Também eu já vivi situações destas.
Já me mantive em lugares e em relações por muito mais tempo do que me poderia permitir. Sofrendo e deixando para "amanhã" ou "quando isto acontecer, então..", "vou só esperar que...", e adiando, adiando até que o automático teve de gerir tudo.
E é verdade que não atingindo ainda qualquer questão divina de me superar da humanidade, em alguns campos da minha vida ainda me ligo algumas coisas pelo abismático desconhecido.
O que tenho hoje melhor que ontem, é uma consciência deste processo, que me permite libertar muito mais cedo, e sem culpa, ou credo de uma responsabilidade que não é minha.

A verdade é que quando largamos a mão de algo que já não é para nós, e só aí, é que encontramos o que está à nossa espera. E não necessariamente uma troca de igual. A maior parte das vezes o que nos espera é o que sonhamos timidamente em segredo e a libertação do que nos prendia antes, leva-nos à abertura de novas e maiores perspetivas.

O ser humano, estimulado por acontecimentos e interações diferentes todos os dias, todos os dias muda. Como poderem querer estar satisfeitos e completos com o mesmo que tínhamos anos antes, se hoje somos completamente diferentes?

É normal sentirmos que algo já não o é, para nós ou para a nossa felicidade. Mas este é o nosso maior obstáculo: não aceitamos a nossa evolução com normalidade!


Com amor,
Judite <3





segunda-feira, 29 de maio de 2017

Ingenuidade ou amor incondicional?

Começo este texto por pôr de lado qualquer pretensão a salvas e elevações de qualquer coisa maior que eu própria, que o título pode levar a debates maiores.
Porque é verdadeira a indignação e mais pura intenção o debate sobre esta questão.

Faz minutos que na timeline do meu facebook vi uma frase, daquelas que se partilham e partilham, e neste caso de virgem em virgem se foi partilhando.
Uma frase que tenta resumir uma característica que a aastrologia me confere e na qual tão me revejo e me suscita a concordância de algo que tanto defendo.
Assim, na verdade este texto pretende apenas falar de confiar. Ou do que ronda o sentido da palavra confiança.

Tal era a inscrição, qual RX do vrginiano: o que quando confia nenhuma prova é necessária, mas quando desconfia, nenhuma prova é suficiente. E ali, lida, sem dó nem piedade de mim, ri comigo mesma e relembrei alguns momentos de questionamento. De outros para mim.

Muitas vezes fui aclamada de ingénua e questionada pela minha bondade, por confiar ou dar sem questionar.

Apenas por sentir que assim era certo.

Das coisas mais simples, a outras que para muitos tem muito significado. A verdade é que assim me faz sentido viver.
Pela intuição de saber quando ou não confiar. E raras vezes ela falha onde deve olhar e pedir razão.

A mim choca-me exatamente o contrário. O desgrenhar de uma verdade que não existe. O correr atrás de ações não cometidas. O não estender a mão a quem olhamos nos olhos e vemos a verdadeira necessidade da nossa intervenção. Seja ela um simples abraço ou algo mais que possamos contribuir.

Viver na desconfiança contínua não é para mim viver em humanidade:
Viver com medo de que alguém nos possa passar à frente,
De  que alguém replique e que ganhe mais sobre o nosso trabalho,
De dar algo a alguém, o meu tempo, um jantar, o meu conhecimento, sem retorno...
Viver sem humanidade nem se aproxima do significado que atribuo a viver.

É ingenuidade querer um mundo mais humano? 
Num mundo de que vive apenas com a extração da bondade dos outros, sim, pode parecer que não nos leva a lado nenhum.
Mas não é nesse mundo que eu me vejo viver!

E os receios devanecem-se nos olhares. 
Afinal, não são os olhos o espelho dos corações?



Com amor,
Judite <3

domingo, 7 de maio de 2017

A partilha que dá e recebe

Esta semana aventurei-me a cumprir mais um item da minha lista de coisas a fazer pelo menos uma vez na vida. Uma coisa muito simples, mas que muitos se questionam no receio dos resultados e que tantos precisam para poder cumprir os seus objetivos.

Esta ideia surgiu à alguns anos, quando fiz as minhas primeiras certificações do desenvolvimento pessoal e percebi que muitas áreas, além desta, carecem de "testers", "modelos", "paciente 0" ou "vítimas" de treino, como lhe quiserem chamar.

E desde então que tinha minha lista ser barro para moldar pelas mãos de quem precisa de treinar. E não falta na minha rede pessoal quem precise de partilhar neste sentido, mas quando estamos na posse de algum conhecimento, é-nos difícil sermos facilitados com total honestidade o processo ao outro lado.

Porém, existem áreas das quais eu sou apenas cliente e de que não domínio seja o que for da sua técnica. Uma delas é o hair styling, cabeleireiro, ou os nomes que constem na vossa preferência, para nomear aquela pessoa que habitualmente cuida de uma das coisas que mais desfilamos em modas de cores e cortes que nos realçam a personalidade.

Após anos com a tarefa pendente na lista, e já desistente porque não sabia onde me dirigir e o senho Google não estava a colaborar, um passeio de uma noite quente de verão trouxe até mim o desejo de observar uma montra, daquelas que estão onde tantas vezes passamos, e olhar para o cartaz afixado.

A verdade é que este item já estava em estado de "esquecido" e passou a ser ativado para fazer acontecer.

E assim foi!

Em menos de uma semana regressei à rua de São Paulo no Cais Sodré, subi ao primeiro piso do n 101 e esperei pelo meu momento.

Quero agradecer especialmente à formanda Patricia e à formadora Paula, assim como a toda a turma fantástica e ávida de aprendizagem no IEDCB,

Vim de lá com o meu cabelinho renovado, mas muito mais do que isso. Cheia de alegria e coração em partilha!

Que os sonhos se concretizem para "estes meninos e meninas de batas brancas" e olhos curiosos!

Que ponham muitas pessoas ainda mais bonitas e com muitos sorrisos nas faces!



Com amor,

Judite <3

domingo, 30 de abril de 2017

O sonho de fadar sonhos!

Vivemos muitas vezes com coisas que sabemos precisar de despreender, que em todos os sinais, dos mais abstratos aos mais objectivos e sentidos no corpo e na mente, nos apontam caminhos. Mas que teimamos tantas vezes em não permitir o seu tempo de antena, em atenção plena.

Seguimos muitas vezes rotas em direção a estradas que conhecemos não ter fim, e que cuja inversão de marcha pode ser uma manobra de sorte, que na ausência deixará o rasto do caos.

Lutamos muitas batalhas que sabemos perdidas. Mas que nos vestimos a rigor no nosso fato de cavaleiro ou amazona, frente ao inimigo que em nós encontramos.

Vivemos muitas vezes com o que não queremos. 
Porque é mais fácil manter do que abandonar,
Porque achamos que poderá haver um se, um outro lado que ainda não foi desvendado,
Porque existe uma meia metade que nos faz sorrir e esquecer a metade da dor.

Vivemos muitas vezes com a aceitação de uma parte,
Porque tememos que o universo não nos premeie com o todo,
Ou até porque nos desdignificamos da pretensão de tudo o que merecemos.
Porque achamos que esse todo e esse tudo pode estar tão longe que poderemos não alcançar,
Porque a parte é melhor que o nada.

Mas se pensamos no tudo e no todo, porque querer menos que o mais que podemos ter?
Porque fechar portas à aventura da descoberta dos caminhos onde nos poderemos ter de perder?
Porque querer encontrar a nossa imagem no reflexo dos rios e mares?
Porque não aceitar a surpresa do quando?

Olho muitas vezes em redor, e vejo na conformidade de quem me rodeia a aceitação de menos do que querem. Porque é mais fácil viver na infelicidade da metade, do que na incerteza do nada que pode ser todo.
Observo os olhares tristes de quem desistiu de sonhar, de sorrir, de afirmar a sua unicidade, e algo em mim se agita. Anseio em permanência agir, abrir a mão em auxilio, em ajudar no grito de liberdade, de direito no ser e no ter.

Houve um dia em que rompi com o que se esperava de mim. Com o que adiei. Com o que me libertei em dor mas muito mais em alegria. E esse dia, fez com que uma descoberta ainda maior se tenha dado. Um caminho que escolho todos os dias. E se no ego quero  todo para mim, no coração quero ver felicidade em meio redor.

Este caminho, de trabalhar com a essência humana, nos seus contextos e realidades, às vezes também em dor e ansiedade, traz em si uma felicidade à qual agradeço a todos os que se sentam ao meu lado para partilhar um pouco de si, e levar um pouco de mim.

Hoje não me vejo noutro papel que não o de facilitar o caminho da mente ao coração. Do corpo que sorri. Dos sonhos que se almejam.

E nada mais que fechar Abril com uma palavra: Gratidão!



Com amor,
Judite


segunda-feira, 20 de março de 2017

Porque falamos de felicidade...

Hoje que se comemora o Dia Internacional da Felicidade, tinha que partilhar convosco algumas palavras felizes.

Umas palavras breves, mas que sintetizam com muito ou um pouco aquilo que é importante para podermos considerar a Felicidade.

Antes de tudo, o próprio conceito: O que é ser Feliz? O que é a Felicidade?

Cada um de nós tem e deve ter o se próprio conceito. Felicidade não é algo colectivo, embora se possa colectivas e partilhar e viver a felicidade pela percepção do outro, dos outros que nos rodeiam. mas tudo isso deve ser feito na unicidade da nossa interpretação.

Porque só nós sabemos e podemos saber se e quanto somos felizes. Só nós sabemos e podemos saber e sentir aquela sensação que só nós explica o que é a felicidade.

A mim, transmite-se com uma leveza. sinto o corpo leve como uma pena. Sinto o peito leve como se só feito de ar. Sinto uma energia radiante a espalhar-se pelo corpo e fazer sentir uma paz inexplicável no corpo e na mente.

Existem técncias milenares que ajudam a encontrar e explicar a felicidade. E estando tão certas para mim, que tentam com que sintamos tudo o que descrevi, são por vezes tão utópicas, porque as tentamos sentir pela mente e não pelo coração.

É daí que vem a felicidade. Da conexão que fazemos com as coisas. Como as vivemos, como nos tocam e nós as tocamos, como se traduzem num significado tão simples de perceber que se funde com o ar que inspiramos e expiramos.

Na verdade, muitas vezes procuramos coisas para nos fazer felizes com a mente: o carro ou a casa nova, o último grito da moda, uma conta recheada e uma carreira com alguns títulos antes do nome e assinaturas pomposas no email.
Mas não nos sentimos em propósito... e fica a faltar qualquer coisa, e a correria para a felicidade continua porque a mente não para de a tentar medir e comparar com a felicidade alheia.

Não quero com isto dizer que a felicidade para ti não passe por estas coisas. Pelo contrário. S
e assim te fizer sentido, claro que sim, é felicidade!
Mas felicidade sente-se com o coração.
Sente-se quando somos apaixonados por aquilo que fazemos e sentimos essa paixão em cada célula, quando o entusiasmo da conquista supera qualquer outra comparação com o que ainda não se fez.

Felicidade é conectar com os resultados, sejam eles o tal papel, ou a brisa quente que nos toca na pele e nos lembra o verão, com tudo o que ele para nós significa, dentro das suas histórias dentro de histórias.
Felicidade é sentir uma alegria imensa dentro do corpo, maior que a nossa qualquer intenção, quando vemos uma paisagem bonita, uma criança a sorrir, ou o olhar de quem nos ama.
Felicidade é sentir um formigueiro de contente porque alguém, além de nós, fez algo maravilhoso e que me merece o nosso agradecimento e orgulho por assistir. Mesmo que não o conheçamos.
Felicidade é respeitar a nossa essência, rir com ela, e valorizarmos o que ela nos faz ganhar.
Felicidade pode ser tudo e tão pouco.
Felicidade pode ser uma ou muitas coisas.
Mas felicidade apenas ou tanto é como aquilo que tu assim definires que te faz feliz e permitires essa felicidade em ti.

Para mim, sentir felicidade é congelar em breves instantes o momento, com um gelo quente e aconchegante da alegria, da paz dentro de mim.
Para mim felicidade é o momento e tudo o que ele me permite ser mais eu, hoje e amanhã.

E para ti? O que é a felicidade?


Com amor,
Judite

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A carreira do amor

Cheguei à paragem de autocarro e faltavam 2 minutos, daqueles bem generosos, como só a carris nos sabe presentear e que se multiplicam numa dimensão de tempo bem diferente da que habitamos. Apesar de tudo, estava tudo bem.
A cidade tranquila, o sol a querer espreitar e no banco da paragem um homem e uma mulher, aparentando ambos, muita história de vida, sentados impacientemente como quem finta o inimigo: o horizonte que não revela o transporte ansiado.

Ela, com o seu corpo moldado à idade, um tufo de algodão branco sob um pesado gorro e um sorriso, que arrisco dizer, centenário.
Ele, que apesar de aparentar também uma longa história, revelava ter tido de lutar menos com o tempo.
Olharam um para o outro e em silêncio lamentaram a espera.
Com cumplicidade, pensei eu, de tanta partilha, que apenas o olhar basta para que tudo se revele.

Quando o tão esperado carro chegou, ele, num apoio condicional, ajudou-a no degrau, firmando a sua mão no cotovelo dela. Conduziu-a até ao assento, e sentou-se frente a frente.

E eu, encaminhei-me para a segunda metade do articulado envolta na minha mente agitada.
E assim teria continuado, se algo não me tivesse chamado a atenção.

Numa paragem, ele levanta-se, apoia-a e conduz o seu caminho até ao degrau, até ao degrau do passeio ali ao lado, e regressa à carreira, sem trocarem longas palavras além do tímido agradecimento.

"Oh!" exclamei em pensamento enquanto o meu corpo se colocou direito no banco. Afinal não estavam juntos nos laços que eu determinara.
E tamanha empatia provinha de uma qualquer outra história em comum: os longos anos de vida, as ruas de uma cidade, as vivências de uma história social comum, uma geografia, ou tantas outras possibilidades.

O meu sorriso alargou-se com toda a elástica energia, e no peito senti um agradável arrepio, que se transformou numa alegria infindável.

Ainda existem verdadeiros seres humanos por aí.
Aqueles que ajudam um transeunte pesado a atravessar a estrada,
Aqueles que despem o casaco que os aquece e partilham ao sem abrigo o seu agasalho,
Aqueles que abdicam do seu lanche da jornada laborar e oferecem ao pedinte no metro,
Aqueles que sorriem a alguém que foi abordado por um passageiro mal disposto no elevador,
Aqueles que se levantam no autocarro para ajudar outro ser a seguir o seu caminho.

E se isto não é amor... o que será?

Com amor,
Judite





terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Bom dia Sr. Valentim!

Num dia onde se aprumam todos os ditos cavalheiros de nomes avelentinados, e as suas valentinas que esperam em formato qual dama ou donzela, qual romance exuberado, pelo agradar do seu amado,
Numa trama de Romeu e Julieta, no romande das rosas e aromas de chocolate, as luzes da resposta sabida ilumina o palco.

Mas eu questiono: quanto vivemos nós em real amor? E o que é o amor que este dia se diz festejar?

Viajo no meu dia a dia sob o olhar atento aos vividos em amor, e almejo alcançar a compreensão do que o ser humano realmente percebe sobre este tema.

Conheço muitos solteiros enamorados e muitos casados desalmados numa rotina que nem questiona o amor. E a ambos pergunto: será que é amor?
Talvez seja, e será de certo, ao olhar de cada um, a sua forma de amar.

Para mim amor significa respeito e liberdade: em nós próprios.
Porque para mim o amor começa no "1" e não no "2".
Porque para mim amar significa um profundo conhecimento sobre nós, antes de qualquer pretensão de se dar ao outro.
Porque para mim nenhum amor é completo se quem o sente não o sentir dessa forma.
E as peças juntam-se apenas em cada um de nós. E depois, embelezam-se e partilham-se em dávidas de amar o outro, os outros.

Porque amar começa no "1" e termina no infinito. Não tem de ter razão nem regras. Apenas coragem de deixar partir de si ao mundo.

Porque para mim o amor não tem uma forma nem fórmula. Porque o amor tem cores que a visão não alcança. E porque na sua imensidão e profundidade pode ser tão leve que partilhado através da brisa, mundo fora.

Porque para mim amar não é ficar. É saber quando estar e quando partir. Quando dar e quando recusar. É olhar com franqueza e a coragem de se ter de dizer "adeus" para que o seu significado seja mais que isso, seja vida, e possa ter toda a sua plenitude no destino que lhe damos.

Porque amar significa deixar partir o melhor de nós de dentro do nosso coração ao mundo que nos rodeia. Seja qual e quem o vá receber de todas as formas que possamos partilhar.

Que este dia "do amor", vá além dos galantes Valentins e passe com harmonia nas almas que se permitam realmente viver em amor.
O do outro. Seja quem for.

Com amor,
Judite