quinta-feira, 13 de julho de 2017

O (des)apego em amor

Nem tudo o que é bom num tempo, o é para sempre.

Lido muitas vezes, na minha vida pessoal e profissional com a questão do desapego, ou muitas vezes no manter-se no apego.

Encontro muitas pessoas que se sentem infelizes com a vida que tem, com o emprego, com as relações e até o local onde moram, mas não deixam nada de tudo o que lhes faz menos felizes, para buscar a felicidade, apenas pelo medo da perda!

Também eu já vivi situações destas.
Já me mantive em lugares e em relações por muito mais tempo do que me poderia permitir. Sofrendo e deixando para "amanhã" ou "quando isto acontecer, então..", "vou só esperar que...", e adiando, adiando até que o automático teve de gerir tudo.
E é verdade que não atingindo ainda qualquer questão divina de me superar da humanidade, em alguns campos da minha vida ainda me ligo algumas coisas pelo abismático desconhecido.
O que tenho hoje melhor que ontem, é uma consciência deste processo, que me permite libertar muito mais cedo, e sem culpa, ou credo de uma responsabilidade que não é minha.

A verdade é que quando largamos a mão de algo que já não é para nós, e só aí, é que encontramos o que está à nossa espera. E não necessariamente uma troca de igual. A maior parte das vezes o que nos espera é o que sonhamos timidamente em segredo e a libertação do que nos prendia antes, leva-nos à abertura de novas e maiores perspetivas.

O ser humano, estimulado por acontecimentos e interações diferentes todos os dias, todos os dias muda. Como poderem querer estar satisfeitos e completos com o mesmo que tínhamos anos antes, se hoje somos completamente diferentes?

É normal sentirmos que algo já não o é, para nós ou para a nossa felicidade. Mas este é o nosso maior obstáculo: não aceitamos a nossa evolução com normalidade!


Com amor,
Judite <3





segunda-feira, 29 de maio de 2017

Ingenuidade ou amor incondicional?

Começo este texto por pôr de lado qualquer pretensão a salvas e elevações de qualquer coisa maior que eu própria, que o título pode levar a debates maiores.
Porque é verdadeira a indignação e mais pura intenção o debate sobre esta questão.

Faz minutos que na timeline do meu facebook vi uma frase, daquelas que se partilham e partilham, e neste caso de virgem em virgem se foi partilhando.
Uma frase que tenta resumir uma característica que a aastrologia me confere e na qual tão me revejo e me suscita a concordância de algo que tanto defendo.
Assim, na verdade este texto pretende apenas falar de confiar. Ou do que ronda o sentido da palavra confiança.

Tal era a inscrição, qual RX do vrginiano: o que quando confia nenhuma prova é necessária, mas quando desconfia, nenhuma prova é suficiente. E ali, lida, sem dó nem piedade de mim, ri comigo mesma e relembrei alguns momentos de questionamento. De outros para mim.

Muitas vezes fui aclamada de ingénua e questionada pela minha bondade, por confiar ou dar sem questionar.

Apenas por sentir que assim era certo.

Das coisas mais simples, a outras que para muitos tem muito significado. A verdade é que assim me faz sentido viver.
Pela intuição de saber quando ou não confiar. E raras vezes ela falha onde deve olhar e pedir razão.

A mim choca-me exatamente o contrário. O desgrenhar de uma verdade que não existe. O correr atrás de ações não cometidas. O não estender a mão a quem olhamos nos olhos e vemos a verdadeira necessidade da nossa intervenção. Seja ela um simples abraço ou algo mais que possamos contribuir.

Viver na desconfiança contínua não é para mim viver em humanidade:
Viver com medo de que alguém nos possa passar à frente,
De  que alguém replique e que ganhe mais sobre o nosso trabalho,
De dar algo a alguém, o meu tempo, um jantar, o meu conhecimento, sem retorno...
Viver sem humanidade nem se aproxima do significado que atribuo a viver.

É ingenuidade querer um mundo mais humano? 
Num mundo de que vive apenas com a extração da bondade dos outros, sim, pode parecer que não nos leva a lado nenhum.
Mas não é nesse mundo que eu me vejo viver!

E os receios devanecem-se nos olhares. 
Afinal, não são os olhos o espelho dos corações?



Com amor,
Judite <3

domingo, 7 de maio de 2017

A partilha que dá e recebe

Esta semana aventurei-me a cumprir mais um item da minha lista de coisas a fazer pelo menos uma vez na vida. Uma coisa muito simples, mas que muitos se questionam no receio dos resultados e que tantos precisam para poder cumprir os seus objetivos.

Esta ideia surgiu à alguns anos, quando fiz as minhas primeiras certificações do desenvolvimento pessoal e percebi que muitas áreas, além desta, carecem de "testers", "modelos", "paciente 0" ou "vítimas" de treino, como lhe quiserem chamar.

E desde então que tinha minha lista ser barro para moldar pelas mãos de quem precisa de treinar. E não falta na minha rede pessoal quem precise de partilhar neste sentido, mas quando estamos na posse de algum conhecimento, é-nos difícil sermos facilitados com total honestidade o processo ao outro lado.

Porém, existem áreas das quais eu sou apenas cliente e de que não domínio seja o que for da sua técnica. Uma delas é o hair styling, cabeleireiro, ou os nomes que constem na vossa preferência, para nomear aquela pessoa que habitualmente cuida de uma das coisas que mais desfilamos em modas de cores e cortes que nos realçam a personalidade.

Após anos com a tarefa pendente na lista, e já desistente porque não sabia onde me dirigir e o senho Google não estava a colaborar, um passeio de uma noite quente de verão trouxe até mim o desejo de observar uma montra, daquelas que estão onde tantas vezes passamos, e olhar para o cartaz afixado.

A verdade é que este item já estava em estado de "esquecido" e passou a ser ativado para fazer acontecer.

E assim foi!

Em menos de uma semana regressei à rua de São Paulo no Cais Sodré, subi ao primeiro piso do n 101 e esperei pelo meu momento.

Quero agradecer especialmente à formanda Patricia e à formadora Paula, assim como a toda a turma fantástica e ávida de aprendizagem no IEDCB,

Vim de lá com o meu cabelinho renovado, mas muito mais do que isso. Cheia de alegria e coração em partilha!

Que os sonhos se concretizem para "estes meninos e meninas de batas brancas" e olhos curiosos!

Que ponham muitas pessoas ainda mais bonitas e com muitos sorrisos nas faces!



Com amor,

Judite <3

domingo, 30 de abril de 2017

O sonho de fadar sonhos!

Vivemos muitas vezes com coisas que sabemos precisar de despreender, que em todos os sinais, dos mais abstratos aos mais objectivos e sentidos no corpo e na mente, nos apontam caminhos. Mas que teimamos tantas vezes em não permitir o seu tempo de antena, em atenção plena.

Seguimos muitas vezes rotas em direção a estradas que conhecemos não ter fim, e que cuja inversão de marcha pode ser uma manobra de sorte, que na ausência deixará o rasto do caos.

Lutamos muitas batalhas que sabemos perdidas. Mas que nos vestimos a rigor no nosso fato de cavaleiro ou amazona, frente ao inimigo que em nós encontramos.

Vivemos muitas vezes com o que não queremos. 
Porque é mais fácil manter do que abandonar,
Porque achamos que poderá haver um se, um outro lado que ainda não foi desvendado,
Porque existe uma meia metade que nos faz sorrir e esquecer a metade da dor.

Vivemos muitas vezes com a aceitação de uma parte,
Porque tememos que o universo não nos premeie com o todo,
Ou até porque nos desdignificamos da pretensão de tudo o que merecemos.
Porque achamos que esse todo e esse tudo pode estar tão longe que poderemos não alcançar,
Porque a parte é melhor que o nada.

Mas se pensamos no tudo e no todo, porque querer menos que o mais que podemos ter?
Porque fechar portas à aventura da descoberta dos caminhos onde nos poderemos ter de perder?
Porque querer encontrar a nossa imagem no reflexo dos rios e mares?
Porque não aceitar a surpresa do quando?

Olho muitas vezes em redor, e vejo na conformidade de quem me rodeia a aceitação de menos do que querem. Porque é mais fácil viver na infelicidade da metade, do que na incerteza do nada que pode ser todo.
Observo os olhares tristes de quem desistiu de sonhar, de sorrir, de afirmar a sua unicidade, e algo em mim se agita. Anseio em permanência agir, abrir a mão em auxilio, em ajudar no grito de liberdade, de direito no ser e no ter.

Houve um dia em que rompi com o que se esperava de mim. Com o que adiei. Com o que me libertei em dor mas muito mais em alegria. E esse dia, fez com que uma descoberta ainda maior se tenha dado. Um caminho que escolho todos os dias. E se no ego quero  todo para mim, no coração quero ver felicidade em meio redor.

Este caminho, de trabalhar com a essência humana, nos seus contextos e realidades, às vezes também em dor e ansiedade, traz em si uma felicidade à qual agradeço a todos os que se sentam ao meu lado para partilhar um pouco de si, e levar um pouco de mim.

Hoje não me vejo noutro papel que não o de facilitar o caminho da mente ao coração. Do corpo que sorri. Dos sonhos que se almejam.

E nada mais que fechar Abril com uma palavra: Gratidão!



Com amor,
Judite


segunda-feira, 20 de março de 2017

Porque falamos de felicidade...

Hoje que se comemora o Dia Internacional da Felicidade, tinha que partilhar convosco algumas palavras felizes.

Umas palavras breves, mas que sintetizam com muito ou um pouco aquilo que é importante para podermos considerar a Felicidade.

Antes de tudo, o próprio conceito: O que é ser Feliz? O que é a Felicidade?

Cada um de nós tem e deve ter o se próprio conceito. Felicidade não é algo colectivo, embora se possa colectivas e partilhar e viver a felicidade pela percepção do outro, dos outros que nos rodeiam. mas tudo isso deve ser feito na unicidade da nossa interpretação.

Porque só nós sabemos e podemos saber se e quanto somos felizes. Só nós sabemos e podemos saber e sentir aquela sensação que só nós explica o que é a felicidade.

A mim, transmite-se com uma leveza. sinto o corpo leve como uma pena. Sinto o peito leve como se só feito de ar. Sinto uma energia radiante a espalhar-se pelo corpo e fazer sentir uma paz inexplicável no corpo e na mente.

Existem técncias milenares que ajudam a encontrar e explicar a felicidade. E estando tão certas para mim, que tentam com que sintamos tudo o que descrevi, são por vezes tão utópicas, porque as tentamos sentir pela mente e não pelo coração.

É daí que vem a felicidade. Da conexão que fazemos com as coisas. Como as vivemos, como nos tocam e nós as tocamos, como se traduzem num significado tão simples de perceber que se funde com o ar que inspiramos e expiramos.

Na verdade, muitas vezes procuramos coisas para nos fazer felizes com a mente: o carro ou a casa nova, o último grito da moda, uma conta recheada e uma carreira com alguns títulos antes do nome e assinaturas pomposas no email.
Mas não nos sentimos em propósito... e fica a faltar qualquer coisa, e a correria para a felicidade continua porque a mente não para de a tentar medir e comparar com a felicidade alheia.

Não quero com isto dizer que a felicidade para ti não passe por estas coisas. Pelo contrário. S
e assim te fizer sentido, claro que sim, é felicidade!
Mas felicidade sente-se com o coração.
Sente-se quando somos apaixonados por aquilo que fazemos e sentimos essa paixão em cada célula, quando o entusiasmo da conquista supera qualquer outra comparação com o que ainda não se fez.

Felicidade é conectar com os resultados, sejam eles o tal papel, ou a brisa quente que nos toca na pele e nos lembra o verão, com tudo o que ele para nós significa, dentro das suas histórias dentro de histórias.
Felicidade é sentir uma alegria imensa dentro do corpo, maior que a nossa qualquer intenção, quando vemos uma paisagem bonita, uma criança a sorrir, ou o olhar de quem nos ama.
Felicidade é sentir um formigueiro de contente porque alguém, além de nós, fez algo maravilhoso e que me merece o nosso agradecimento e orgulho por assistir. Mesmo que não o conheçamos.
Felicidade é respeitar a nossa essência, rir com ela, e valorizarmos o que ela nos faz ganhar.
Felicidade pode ser tudo e tão pouco.
Felicidade pode ser uma ou muitas coisas.
Mas felicidade apenas ou tanto é como aquilo que tu assim definires que te faz feliz e permitires essa felicidade em ti.

Para mim, sentir felicidade é congelar em breves instantes o momento, com um gelo quente e aconchegante da alegria, da paz dentro de mim.
Para mim felicidade é o momento e tudo o que ele me permite ser mais eu, hoje e amanhã.

E para ti? O que é a felicidade?


Com amor,
Judite

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A carreira do amor

Cheguei à paragem de autocarro e faltavam 2 minutos, daqueles bem generosos, como só a carris nos sabe presentear e que se multiplicam numa dimensão de tempo bem diferente da que habitamos. Apesar de tudo, estava tudo bem.
A cidade tranquila, o sol a querer espreitar e no banco da paragem um homem e uma mulher, aparentando ambos, muita história de vida, sentados impacientemente como quem finta o inimigo: o horizonte que não revela o transporte ansiado.

Ela, com o seu corpo moldado à idade, um tufo de algodão branco sob um pesado gorro e um sorriso, que arrisco dizer, centenário.
Ele, que apesar de aparentar também uma longa história, revelava ter tido de lutar menos com o tempo.
Olharam um para o outro e em silêncio lamentaram a espera.
Com cumplicidade, pensei eu, de tanta partilha, que apenas o olhar basta para que tudo se revele.

Quando o tão esperado carro chegou, ele, num apoio condicional, ajudou-a no degrau, firmando a sua mão no cotovelo dela. Conduziu-a até ao assento, e sentou-se frente a frente.

E eu, encaminhei-me para a segunda metade do articulado envolta na minha mente agitada.
E assim teria continuado, se algo não me tivesse chamado a atenção.

Numa paragem, ele levanta-se, apoia-a e conduz o seu caminho até ao degrau, até ao degrau do passeio ali ao lado, e regressa à carreira, sem trocarem longas palavras além do tímido agradecimento.

"Oh!" exclamei em pensamento enquanto o meu corpo se colocou direito no banco. Afinal não estavam juntos nos laços que eu determinara.
E tamanha empatia provinha de uma qualquer outra história em comum: os longos anos de vida, as ruas de uma cidade, as vivências de uma história social comum, uma geografia, ou tantas outras possibilidades.

O meu sorriso alargou-se com toda a elástica energia, e no peito senti um agradável arrepio, que se transformou numa alegria infindável.

Ainda existem verdadeiros seres humanos por aí.
Aqueles que ajudam um transeunte pesado a atravessar a estrada,
Aqueles que despem o casaco que os aquece e partilham ao sem abrigo o seu agasalho,
Aqueles que abdicam do seu lanche da jornada laborar e oferecem ao pedinte no metro,
Aqueles que sorriem a alguém que foi abordado por um passageiro mal disposto no elevador,
Aqueles que se levantam no autocarro para ajudar outro ser a seguir o seu caminho.

E se isto não é amor... o que será?

Com amor,
Judite





terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Bom dia Sr. Valentim!

Num dia onde se aprumam todos os ditos cavalheiros de nomes avelentinados, e as suas valentinas que esperam em formato qual dama ou donzela, qual romance exuberado, pelo agradar do seu amado,
Numa trama de Romeu e Julieta, no romande das rosas e aromas de chocolate, as luzes da resposta sabida ilumina o palco.

Mas eu questiono: quanto vivemos nós em real amor? E o que é o amor que este dia se diz festejar?

Viajo no meu dia a dia sob o olhar atento aos vividos em amor, e almejo alcançar a compreensão do que o ser humano realmente percebe sobre este tema.

Conheço muitos solteiros enamorados e muitos casados desalmados numa rotina que nem questiona o amor. E a ambos pergunto: será que é amor?
Talvez seja, e será de certo, ao olhar de cada um, a sua forma de amar.

Para mim amor significa respeito e liberdade: em nós próprios.
Porque para mim o amor começa no "1" e não no "2".
Porque para mim amar significa um profundo conhecimento sobre nós, antes de qualquer pretensão de se dar ao outro.
Porque para mim nenhum amor é completo se quem o sente não o sentir dessa forma.
E as peças juntam-se apenas em cada um de nós. E depois, embelezam-se e partilham-se em dávidas de amar o outro, os outros.

Porque amar começa no "1" e termina no infinito. Não tem de ter razão nem regras. Apenas coragem de deixar partir de si ao mundo.

Porque para mim o amor não tem uma forma nem fórmula. Porque o amor tem cores que a visão não alcança. E porque na sua imensidão e profundidade pode ser tão leve que partilhado através da brisa, mundo fora.

Porque para mim amar não é ficar. É saber quando estar e quando partir. Quando dar e quando recusar. É olhar com franqueza e a coragem de se ter de dizer "adeus" para que o seu significado seja mais que isso, seja vida, e possa ter toda a sua plenitude no destino que lhe damos.

Porque amar significa deixar partir o melhor de nós de dentro do nosso coração ao mundo que nos rodeia. Seja qual e quem o vá receber de todas as formas que possamos partilhar.

Que este dia "do amor", vá além dos galantes Valentins e passe com harmonia nas almas que se permitam realmente viver em amor.
O do outro. Seja quem for.

Com amor,
Judite


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Quando a vida é só para amanhã



Encontro frequentemente na minha vida, grandes donos de fábricas de bolos multimilionárias. Que guardam tudo o que podem, que gerem rotinas perfeitas, que constroem um futuro provido de todo o material que precisam para um conforto da velhice, que pavoneiam o exemplo e se afirmam com a descontração imperiosa do seu lugar, mas que na verdade nem sabem a que sabe os seus bolos, guardados para um amanhã, ou partilhado em montra bem estudada, mas que não poderá ser mexida até ao fim da época e o fecho da cortina.

E depois aparecem os que trazem timidamente os biscoitos no bolso, embrulhados no papel de guardanapo de uma folha, amarrotado qual tímido invólucro caseiro. Biscoitos de marca branca, ou feitos em casa no forno a precisar de reforma. Mas que ao melhor dos impulsos, sem um único piscar de olhos, tiram o biscoito do bolso e partilham tudo o que tem, para tornar aquele momento melhor. Sem pensar que aquele meio biscoito pode faltar nos tijolos do abrigo do amanhã. Mas confiam que vai ser maravilhoso, sem grande alarido sobre o depois, tudo o que importa é o que enche o peito de amor.

Não é de todo a minha intenção falar de biscoitos e bolos. Quando encontrei estas 6 quadriculas semanas atrás, na timeline de alguém que o fez chegar numa rede social, identifiquei de imediato com o que me faz partir o coração, ou recompô-lo em alegria.

Há dias, uma pessoa amiga contava-me orgulhosamente todos os cuidados que tem para uma velhice melhor e eu temi que os seus próximos 40 anos sejam de uma profunda tristeza. Com os detalhes, fiquei com a certeza que vai construir uma fábrica de bolos de boa qualidade, sem que vá provar nenhum, até que um deles seja premiado. E que só aí é permitido uma fatia desse bolo.

Evito verbalizar julgamentos, então não manifestei a inquietação com que fiquei, deixando a minha mente em agitação e triste porque este quadro não encaixa na minha moldura.
Quando me deparo com uma situação destas, lembro-me da fábula que nos fizeram acreditar na infância, que nunca deveríamos ser cigarras e ser sempre formigas à espera do inverno. E assim vamos sendo no nosso contexto social. Amealhando para um amanhã sem fim, não tocando uma única vez a nossa guitarra.

Ora se devemos focar o futuro para nos construirmos enquanto pessoas melhores no presente, seja em que campos da nossa vida, não devemos de colocar a nossa felicidade em stand by até esse momento. E se a fábrica for apanhada por um furacão um tsunami ou outra catástrofe? Ficamos sem saber a que sabem aqueles bolos?

Para mim todos os dias merecem a nossa atenção, os nossos momentos de felicidade, e às vezes temos de cometer loucuras, viver em paixão pelos sonhos, mudar de vida sem receio da montra deixar de ser admirada pelos habituais clientes e que não venham outros, que nos tragam melhores momentos.

Porque podemos transformar os nossos tímidos biscoitos caseiros em saborosos biscoitos de uma pastelaria acolhedora, onde o som das conversas dança com o fumegar do chá, onde nos sentamos à mesa com o cliente deliciado e partilhamos alegrias, elogios e reunimos força para outras receitas de biscoitos.
Porque podemos transformar a fábrica de bolos fria e cinzenta, num lugar atrativo onde experimentamos o que dela é fabricado, e mudamos de vez enquanto a receita, depois de a provar e até lambuzar um pouco na taça da prova.

Podemos viver com a certeza de um dia poder contar aos nossos netos aquela vez em que pusemos pimenta no chocolate, ou coentros nos morangos.
Podemos viver com a certeza que valeu a pena ter deixado as sementes do coração de leão viajarem com a brisa e reencontrar um lugar.
Podemos viver com a certeza de ter ocupado o lugar que era nosso, e não o que nos foi sendo oferecido.
Podemos viver com a certeza de que a nossa felicidade foi mesmo nossa!

Estamos cá hoje. Podemos viver com um pouco de paixão. E não faz mal!
A vida é agora!

Com amor,
Judite <3








segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Em seda ou em linho... que haja amor!

Ouço frequentemente alguns comentários sobre a minha participação e as muitas partilhas que faço nas redes sociais.
Se muitas vezes se focam em alguns agradecimentos por algo que a minha partilha possa contribuir, também existem as intervenções que realçam um certo desagrado ou incómodo porque em algum julgamento, se considera que não o deveria fazer.
É a partir deste "partilhas muito da tua vida" que venho escrever-vos hoje. Com algum sarcasmo, admito, mas com uma inteira mensagem de tolerância. Um pedido para este 2017 que ainda agora começa e que nos traz um novo ciclo.

A verdade é que sim: uso e abuso das redes sociais!
São a minha montra... ora então tenho que expor aquilo que em trabalho ou com a pretensão de ter trabalho, posso precisar de mostrar. E quando digo precisar, não o digo em criação ou falsidade, mas apenas a parte de mim que é importante sobre o meu percurso, sobre a essência de mim e das minhas actividades profissionais que me levam até ao meu público. O resto, embora eventualmente possa partilhar, é meu e só meu.

Posso, na minha fraca capacidade de ironia, deixar aqui uma perguntinha: "Senhores críticos, acham mesmo que a minha vida é só aquilo que partilho? Não acham que sou mais feliz do que isso?".
Se existem invejas, que sejam pelo trabalho duro, pelo empenho, e não pelos posts floreados que possam ver aqui e ali!

Sarcasmos e ironias à parte, vamos agora falar de coisas sérias! A tolerância e a aceitação de um mundo heterogéneo.

Encontro frequentemente na minha vida, nos vários contextos, as pessoas mais intolerantes do mundo (julgamento meu, claro!), que me põe a pele em tremenda irritação, e uma vontade de abanar o ser vivo que se apresenta à minha frente.
Qual intolerância que tenho direito, não fosse eu humana.
Respiro fundo e mais fundo, e limpo a minha mente deste pecaminosos pensamentos e sorrio. Aprendi a sorrir para mim quando me defronto com incompatibilidades relacionais, transportando-me para outros lugares e situações muito mais agradáveis. Não fosse eu uma grande adepta do riso, área onde até percebo de alguma coisa sobre o tema!

Mas apesar disso fico triste.
Triste com a desumanidade com que nos julgamos uns aos outros.
Tal como referi, não sou perfeita e tenho os meus momentos de fraqueza, mas a humanidade vive em constante fraqueza.

E a intolerância vem de toda a parte. E ninguém se admite nela.
(E eu? Quantas vezes entro em negação!)

Vivemos num convívio social em que os engravatados criticam os fatos de linho, e alguém de chinelos e calções só encontra defeitos nas camisas brancas e sapatos engraxados.
E nas respectivas tribos não há espaço para nada mais que não seja o igual! E que sejamos todos cópias e reflexo do ideal de vida... o nosso claro!
E quem não nos repete em imagem e semelhança, não serve, está errado e não encontrou a verdadeira razão da vida!

Acontece que ninguém está errado, tanto quanto não está certo!

Desde muito nova, tanto quanto me consigo lembrar, quis viver a minha vida em liberdade.
E o que significa isso para mim? Fazer o que me faz feliz e completa. Qual gravata ou chinelo, que venham os dois ou até nenhum!

Se me sentisse assim de camisa branca a dirigir o não sei o quê de uma multinacional, porque haveria de negar o meu desejo?
Porque seria menos lúcida em busca da minha felicidade?

A verdade é que o meu conceito de felicidade e plenitude passa por outras coisas. Não quero a tal cadeira e ambiciono pelo mundo de outra forma.
Trabalhar com Desenvolvimento Pessoal é para mim. É realmente o meu caminho, hoje! E faço-o porque acredito no amor pela vida e na felicidade das pequenas coisas.
E que cada dia eu esteja um passo mais perto do meu sonho de vida! (Aquele que de foro pessoal, não vou partilhar, claro!)

Mas se concordo que o Desenvolvimento Pessoal é para todos, para melhor entendimento de nós próprios, do conhecimento do nosso caminho, que até pode ser para melhorar a capacidade de sentar na cadeira!
Fico igualmente aborrecida das campanhas constantes das facções desta luta, dos que o rejeitam ou não vivem em seu nome, e dos que nele trabalham e o vendem.
De que ou estás de um lado ou de outro. E que se não és um nome importante com uma cadeira grande não mereces o teu espaço, nem devias viver. E que se não és facilitador de essência não vez a luz, e não mereces pedir para ser feliz!

Quero começar o ano com esta limpeza feita, um desabafo que há muito queria fazer e que o tenho evitado, porque tem muito de pessoal.
Mas porque também me abraça na minha missão profissional, fica aqui o pedido: Há espaço para todos, para tecidos de todas as cores e texturas, foquem-se em que haja amor!

Que cada dia, eu sinta como me sinto hoje, uma passo mais perto de mim!
E que cada um de vós, seja qual o vosso sonho, se sintam capazes de se aproximar de quem são, dando cada passo a cada dia, com a melhor certeza de que é esse o caminho e que o vivam com no coração!

Um ano de concretizações em amor para todos!

Judite <3